Reportar é viver

15/09/2017

Setembro

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 9:52

Eu gosto de setembro porque é o mês que o sol começa a ficar mais um pouquinho, de tarde. Eu gosto de setembro, porque ele começa com o fim do desgosto de agosto, dá sumiço no frio que gela a alma e traz as cores da primavera. Eu gosto de setembro porque é o mês que nasci, é o mês que tiro férias e é o mês da padroeira Nossa Senhora das Dores, o que nos leva à comemoração do aniversário de Limeira.
No meu último treino de corrida, divaguei no que poderia virar um textão sobre o tema da edição especial da Gazeta de Limeira, que fizemos para os 191 anos da cidade que escolhemos ou aceitamos como lar. Abordamos o ensino superior e a forma que ele identifica a nossa cidade – ou não. Foi um esforço conjunto que pode ser conferido nas páginas hoje, mas me pergunto o que, de fato, os moradores de Limeira têm aprendido ou absorvido ao abrigar instâncias que têm o saber e o aprender como motivação.
Minha conclusão imediata foi de que falta muito para sairmos fora da caixa. Não de pensar fora da caixa, mas primeiro sair dela, mesmo. Limeira ainda tem uma mentalidade muito provinciana, talvez ainda não tenha se dado conta do quanto conhecimento tem à disposição. Da mesma forma, as faculdades também ainda não exploram, ao todo, essa possibilidade de conexão com a comunidade. São desenvolvidos trabalhos geniais, que na maioria das vezes não chegam ao conhecimento da própria imprensa, tampouco da população, senão por repórteres insistentes que cavam pautas.
Limeira ainda não é uma cidade genuínamente universitária não só porque tem uma rodoviária vergonhosa ou porque grande parte reluta em se misturar ao conhecimento propagado pelos cantos. Limeira ainda tem muito a avançar porque ainda falta esforço para enxergar à frente, o que é tristemente constatado em comentários de rede social. Ainda que isso não seja pressuposto para formular um diágnóstico, mostra muito de nós, enquanto comunidade.
Limeirenses têm que sair fora da caixinha quando chiam pelo aumento da tarifa de água e esgoto sem entender a estrutura que esse dinheiro vai subsidiar. As pessoas pensam que é só dar descarga para o problema acabar, e é fácil reclamar quando não se viveu um dia da vida sem saneamento decente. Nós temos e não damos valor. Não nos tocamos da complexidade ambiental que isso envolve, desde que a dor não seja no nosso bolso.
Limeirenses têm que correr pra fora da caixinha quando criticam o fim do aluguel caríssimo do Centro de Eventos, um acordo burro que durou até demais e ainda era pago com o meu e o seu dinheiro para abrigar um serviço que já não era oferecido há mais de um ano. Se gasta, o povo reclama. Se deixa de gastar, o povo reclama. Que tal focar as energias em fiscalizar se essa economia será decentemente aplicada?

Limeirenses têm que sair dora da ciaxa quando reclama do trânsito local. Que, sim, é horrível. Mas quem faz o trânsito somos nós! É fácil reclamar sem policiar as próprias atitudes.
Todo ano paramos para refletir a cidade em torno de um tema, em meio ao turbilhão de refleti-la com todos os problemas e soluções, diariamente, dentro do que é possível abraçar com nossas mãos, mentes e blocos de anotações. Não somos donos da verdade – nem queremos. Mas, como sempre repito: a gente gosta é de dar notícia boa.

 

Hoje é um dia que quero ser otimista, mesmo na falta de grandes expectativas em relação à nossa cidade ou país. E não é porque as minhas férias estão só começando. É porque nesta manhã li a coluna do Denis Russo Burgierman no Nexo (www.nexojornal.com.br/colunistas/2017/Todo-o-potencial-do-mundo), no qual ele se esforça para sair de uma onda de pessimismo em seus textos para um olhar menos apocalíptico sobre o nosso Brasil, tão desmilinguido, como descreve. Ele fala das crianças e de todo o potencial que elas têm, de fazer coisas, de transformar o Brasil em qualquer coisa – desde que as malas de dinheiro, como as do Geddel, sejam dedicadas a nutrir esse potencial. Independentemente disso, elas têm o talento nato da criação de mundos, ao menos até quando esse poder é ceifado pelas limitações que nós, adultos, insistimos em reproduzir. E essa observação é minha, não dele, embora no texto ele reconheça a nossa dificuldade em aprender coisas novas, mudar hábitos, em paredões que simplesmente não existem para as crianças (é a tal da plasticidade que perdemos enquanto nos “desenvolvemos”).
Aí juntou esse texto, com a lembrança do filme da Mulher Maravilha, com algo que me ocorreu ontem. No filme, Diana é a criança que deveríamos ser. É uma heroína com o olhar que deveríamos ter. De não achar barbáries comuns e de enxergar as belezas que nos rodeiam, além das mazelas. Fato que me deixou maravilhada (trocadilho irresistível!) com o filme e me inspirou a escrever (http://daizalacerda.blogspot.com.br/2017/06/precisamos-da-inocencia-de-diana-uma.html).

 

Ontem, inicialmente, fiquei um pouco chateada por ter uma cobertura a fazer no fim da tarde, no fim do expediente, nos 45 do segundo tempo antes de sair de férias (que na verdade começam na segunda, e não no feriado municipal de hoje ou folga de amanhã). Mas, como dizem as mães, o que não tem remédio, remediado está. Fui para uma inauguração de praça, no meio de um trânsito caótico, no qual acho que a maioria dos que passaram se deram mais ao trabalho de praguejar do que notar os coqueiros que ornamentavam a praça, na verdade uma rotatória, inacessível a pedestres.
O “tchan” da coisa seria ao escurecer, com a exibição da nova iluminação do local. Mas o sol insistia em ficar. O staff do prefeito estava tenso, na expectativa que tudo funcionasse, que as lâmpadas se acendessem ao esfriar do sol, que a sincronização de discursos, fotos, luzes naturais e artificiais transcorresse conforme o roteiro. Pois a luz das lâmpadas deram as caras, e o sol continuava ali, sem pressa.
Não fosse por isso, talvez eu não tivesse apreciado o por do sol no meu último expediente antes das férias. Mas, mais emblemático do que o espetáculo natural, foi o monumento da praça, registrando a sua construção em 6 de setembro de 1985, um pouco mais de um ano após eu vir ao mundo nesta terrinha. É um monumento que parece um banquinho. Assim eu via, pelo menos, com o meu olhar de criança, quando tudo era possível. Eu cabia sentadinha ali, num igualzinho àquele nos meus anos iniciais, quando as escolas infantis tinham nomes de desenhos, e não de pessoas.
O texto do Denis Russo me provocou a refletir o que aconteceu entre eu caber sentada naquele banquinho entre o fim dos anos 80 e início dos 90 e estar diante dele e do por do sol, à beira dos 33 anos de idade, com um pé na responsabilidade de entregar uma matéria no fechamento e o outro no barril de chopp do início das férias. Concluí que não adianta muito refletir sobre o que eu fiz ou deixei de fazer para melhorar meu mundo e minha cidade. Me senti desafiada a ser criança de novo, e olhar o mundo desapegada das restrições burras que adquirimos por osmose ou por imposição no decorrer da vida. Me senti desafiada a sair fora da caixinha. Agora. Amanhã. Durante as férias. No meu aniversário. Quando terminarem as férias. A cidade e o país que faremos/teremos é fruto de um esforço diário, que muitos de nós insiste em procrastinar.
Quando alguém faz aniversário, a gente automaticamente deseja tudo de bom. Pensamos no todo, no ano, no resto da vida, e nunca no dia de hoje, com o de amanhã e depois. Então eu só desejo que, todo dia, quando o sol se demorar ou se apressar a dar lugar à noite, a gente possa ter certeza de que fez, nas últimas horas, o possível para contribuir positivamente de alguma forma nas mudanças que inevitavelmente virão. Até estar longe, mas bem longe da caixinha que limita as nossas possibilidades.

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07/09/2017

Após 195 anos, a herança de uma “independência capenga”

Filed under: História — daizalacerda @ 23:38

Falta de ação popular em 1822 ainda reverbera em nossos dias, analisa professor

Daíza Lacerda

Não se sabe se, de fato, houve um grito de independência em 7 de setembro de 1822 às margens do Ipiranga. Tampouco se dom Pedro I estava num cavalo. O provável é que estivesse numa mula, animal que aguentava percorrer grandes distâncias, em resistência propícia à época. O fato é que as atitudes do então príncipe regente, coroado como imperador aos 24 anos de idade, teriam consequências sociais e culturais que perdurariam até os dias atuais. O contexto é explicado por Roberson Marcomini, professor da Etec Trajano Camargo e colégio Jandyra, com mestrado na área de ciências sociais e humanas pela FCA/Unicamp.
A principal herança que perdura em nossos tempos, 195 anos após o evento, foi a falta de participação popular na busca da independência, o que se traduziu na passividade do povo diante de inúmeras situações políticas, como descreve o professor. As decisões se concentraram no poder, num momento em que o rei dom João VI deixa o país para voltar a Portugal, após a derrocada de Napoleão. Fica o príncipe regente, num reinado com cinco lideranças brasileiras. “Pedrinho” percebe a manifestação interna e, antes que se torne revolta, centraliza a política. Ou seja, nenhuma medida passaria sem o conhecimento ou aval dele.
No entanto, no início de 1822, a lideranças portuguesas queriam a volta do regente a Portugal, temendo o rumo da busca pela emancipação política. O regente não só eterniza o “Dia do Fico” em 9 de janeiro, como afaga o ego dos brasileiros como medidas como as represálias a membros do exército português que lhe desobedecessem.
O reinado contava com um líder brasilero, José Bonifácio Andrada e Silva, que tinha uma visão além, como destaca Marcominini. Ele já ditava que o Brasil deveria ter uma capital em seu centro, à época que o comando ficava no Rio de Janeiro. Pois foi Bonifácio que flagrou uma carta vinda de Portugal nada amistosa com o povo colonizado. Mais do que depressa, delatou ao “chefe”, que reagiu com o decreto da independência.
Na prática, Portugal só desapegaria da colônia três anos depois, enquanto em outros países esse processo não passou de um ano, como explica o professor. E o povo continuou na mesma. A mudança só foi na nomenclatura: a população deixava de ter um regente para ter um imperador. “A independência não passou pelo povo, mas pela organização e interesse das elites, da mesma forma que ainda ocorre hoje na política. A população não foi para as ruas para reivindicar uma sociedade melhor”, ilustra.
Os brasileiros ainda pagam por isso, ainda que em outro contexto. Em meio à desigualdade e às consequências de uma crise econômica com inúmeros desempregados, o “tesouro perdido” do ex-ministro Geddel Vieira Lima, descoberto na Bahia, ainda mostra como quase dois séculos não foram o bastante para desfazer certos vícios. Em 1825, o Brasil pagou pela independência, ao indenizar Portugal em dois milhões de libras esterlinas.
Conforme Marcomini, o próprio Geddel, investigado pela Polícia Federal e que está em prisão domiciliar, sem tornozeleira, retrata bem outra herança pós-independência: os coronéis. Como não houve transformação social, os ricos permaneceram ricos, e os pobres, pobres. As famílias ricas também reinaram, e reinam Brasil afora, a exemplo dos Collor e Sarney, como cita o professor.
CONHECIMENTO X INFORMAÇÃO
Mais do que na informação, é necessário investir no conhecimento, como defende o professor. Só desta forma é possível alcançar a transformação social que não foi plantada há quase 200 anos. “A elite chegou ao poder pelo conhecimento, mas sem olhar para a base. É preciso refletir a participação popular na transformação social, por meio da politização. Hoje, o que muda a sociedade é a diversidade de ideias, não o monopólio”, reforça.
Se antes a independência foi “só para português ver”, passou da hora de um olhar mais amplo sobre a desigualdade social perpetuada até os nossos tempos, como reitera o professor. “Um país em desigualdade não pode dar certo. O Brasil é um dos poucos que não cobra imposto sobre fortunas, e ainda está preocupado em passar os débitos para o povo, a exemplo da mais recente alta do preço da gasolina. Falta enxergar que melhorar a base é vantagem também para quem está em cima”, finaliza.

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Marcomini: “é preciso refletir a participação popular na transformação social” – Foto: Mário Roberto/Gazeta de Limeira

 

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08/06/2017

Precisamos da inocência de Diana (uma reflexão sobre o filme da Mulher Maravilha)

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 11:52
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Você não vai assistir a um blockbuster esperando sair de lá incomodado, pensando na vida. Pois eu diria que este é o principal super poder da Mulher Maravilha.
Se à nossa cultura parece ridículo ver em algo tão banal quanto um relógio aquilo que dita o que temos que fazer, cômico ter a hierarquia profissional relacionada à escravidão e algo corriqueiro em ver pessoas sofrendo e simplesmente ignorá-las, o problema talvez não seja o roteiro, mas vida real.
Infelizmente, perdemos a inocência que transborda na deusa vinda de um mundo sem terceiras intenções, sem cobiça ao poder, mas à justiça. O que você teria a dizer para referenciar o lugar de onde veio? De onde você vem as pessoas lutam ou se acovardam?
Os questionamentos de Diana parecem cômicos, mas a seriedade com que ela os faz, deveria ser levada a sério. Por mais utópico que seja, não deveria ser normal ver o terror se alastrar na sua frente e simplesmente continuar o seu caminho. O problema do mundo é que as exceções viraram regra. E o olhar de Diana não aceita isso. Nós não deveríamos. Mas, enfim, não nascemos em Temiscira. Nascemos condicionados à passividade (entre tantas outras coisas, boas e ruins), e a maioria de nós assim permanece, à espera do despertar por uma heroína, quem sabe.
Mas, a humanidade… dark side/light side. Todos temos. A explicação mitológica até parece fazer sentido, assim como a justificativa do vilão: os homens fizeram a bagunça, e não Deus. Como dar chance ao lado bom? Ser misericordioso ou não com o lado ruim?
Fiquei pensando que os poderes de Diana seriam muito bem-vindos principalmente às mulheres com TPM. Mas teríamos o senso de justiça da heroína para usá-los? Em que ponto deixamos de ser justos para ser vingativos? Essa linha ainda existe, conseguimos enxergá-la? Qual o sentido de atacar? Recuar é perder?
Ao sair da sala, a frustração não foi de não ter cenas pós-créditos. Foi ter escancarado, por uma ficção, o quanto regredimos ao querer evoluir. Que ao perder a inocência, nossos julgamentos ficaram difusos demais. Aderimos a justificativas que quase nunca fazem sentido. E paramos de questionar. A pancadaria mais dolorosa de Diana são as suas perguntas. Para quem se permitir usar o filtro da sua inocência.

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Diana: um poço de razão num desvirtuado mundo em guerra
(Warner Bros. Entertainment/Divulgação)

01/06/2017

Idosos devem atualizar CadÚnico para manter BPC

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 20:11
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Benefício é voltado a idosos e deficientes em situação de vulnerabilidade social

Daíza Lacerda

Idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) devem comparecer no Ceprosom para atualizar o Cadastro Único. A atualização é obrigatória para todos os beneficiários até o final deste ano, sob o risco de ter o pagamento suspenso.
O benefício de um salário mínimo é pago pelo governo federal a idosos acima de 65 anos e deficientes cuja renda familiar seja de até 1/4 de salário mínimo per capita, ou seja, para pessoas em situação de vulnerabilidade, como explica Maria Aucélia Damaceno, presidente do Ceprosom. Ela ressalta que o recadastramento dos deficientes será no próximo ano.
Apesar do alerta de recadastramento no extrato, mais da metade dos beneficiários em Limeira precisam comparecer para atualização. No município são 2.270 idosos cadastrados, sendo que 1.311 estão com o recadastro pendente. Entre os deficientes são 1.952 beneficiários que deverão atualizar no próximo ano.
Maria Aucélia alerta que muitas pessoas confundem o benefício com aposentadoria. No entanto, o BPC não é válido para aposentados.
Além do recadastramento, outras mudanças são implantadas neste ano em relação ao BPC. O Ceprosom fará o acompanhamento dos beneficiários, numa busca para incluí-los nos serviços de assistência social, tendo os idosos como público prioritário.
O acompanhamento dos beneficiários deficientes será feito independentemente da idade. No entanto, há o BPC Escola, voltado àqueles de 0 a 18 anos. São 544 nesta faixa etária, que já tiveram a distribuição de questionários para identificar barreiras e as necessidades para atender de foram específica. “Isso deve ser alinhado com outras políticas públicas, com a acessibilidade na escola e no transporte, para garantir o acesso”, explica.
O questionário mostrará ao Ministério do Desenvolvimento Social como o município está em outros âmbitos além da assistência nas políticas de inclusão. Até agosto será desenvolvido um plano de trabalho com essas pessoas”.
Maria Aucélia salienta que o levantamento da demanda de idosos para acompanhamento já é feito nos Cras, ainda que não em grupos específicos.
A atualização só não é válida para idosos em situação de abrigamento e para os maiores de 80 anos, para os quais o governo federal prevê atendimento em domicílio. Para recadastrar, basta levar documento original. O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30, na Avenida Campinas, 115, Cidade Jardim (sede do Ceprosom). Mais informações pelos telefones 3404-6264 e 3404-6265.

Publicado na Gazeta de Limeira.

Câmara de Cordeirópolis decide manter Dudu

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 20:07
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Votação ocorreu na sessão desta terça-feira, em retomada de projeto de decreto legislativo

Daíza Lacerda

Menos de uma semana após o vereador Rinaldo de Lima (PMDB), o Dudu, retornar à Câmara de Cordeirópolis, os demais vereadores votaram por mantê-lo no cargo. Dudu voltou por decisão do Tribunal de Justiça, que suspendeu, em maio, liminar que havia extinto o mandato, em março.
Com a decisão mais recente, foi retomado na Câmara o processo que julgaria o vereador, mecanismo usado com base na Lei Orgânica do Município. O projeto partiu de reação da Câmara diante de inquérito instaurado pelo Ministério Público, que cobra a extinção do mandato de Dudu devido à condenação transitada em julgado, e não apenas a suspensão, como adotou o Legislativo, com base no regimento interno. Diante da reivindicação, vereadores decidiram seguir a Lei Orgânica do Município, que prevê a extinção no caso de condenação, desde que passe pelo aval de todos os vereadores, com direito de defesa do vereador.
Preso em 5 de janeiro por contravenção penal envolvendo máquinas caça-níquel, Dudu cumpriu a pena de três meses, parte em regime aberto, em sua residência. Ele tinha uma condenção anterior, que foi extinta por prescrição. No processo de 2012, ele era um dos responsabilizados por falso testemunho, em caso também relacionado com máquinas caça-níquel em seu estabelecimento.
Na votação do projeto de decreto legislativo, Dudu foi absolvido pelos vereadores do mesmo partido, o PMDB, com votos contrários à perda de seu mandato (do presidente Laerte Lourenço e Cleverton Nunes) e dos partidos aliados (Cassia Moraes-PDT, Antonio Marcos da Silva-PT e Sandra Cristina dos Santos-PT), além de José Geraldo Botion (PSDB). Votaram a favor da perda do mandato Anderson Antonio Hespanhol (PPS) e Mariana Fleury Tamiazo (SD). Por ser parte interessada, Dudu não votou.
AÇÃO CONTINUA
Promotor do Ministério Público, Luiz Alberto Segalla Bevilacqua lembra que a decisão da Câmara não muda o andamento da ação civil pública que tramita na Justiça. A suspensão que reconduziu  Dudu à Câmara foi da liminar, e não do processo. O desfecho dependerá da decisão de juiz em 1º grau. Para o MP, Dudu não tinha condições legais para concorrer às eleições, mesmo que suas condenações transitadas em julgado (uma delas extinta) tivessem sido descobertas depois de eleito. O fato das condenações não terem aparecido em suas certidões deve ser investigado. Dudu foi o terceiro vereador vais votado, com 379 votos.

15/05/2017

Suzana Levy e a memória viva do legado do major

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 20:12
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Às vésperas de ser homenageada, neta de José Levy Sobrinho relembra histórias

Daíza Lacerda

José Levy Sobrinho, o major Levy, se dedicava a muitos negócios, principalmente os voltados à agricultura. Pioneiro na citricultura, ele trouxe mudas da laranja bahia do exterior, com enxertos multiplicados em vastos pomares. Tendo passado parte da infância e a adolescência estudando na Europa, certo dia o major resolveu enviar laranjas à rainha da Inglaterra. O produto já era exportado pela família, mas os filhos acharam graça, duvidando que as frutas cultivadas na terrinha chegassem a tão referenciada autoridade. O major não deu ouvidos. Providenciou as frutas mais bonitas, embrulhadas uma a uma em papel de seda e colocadas numa caixa especial. Tempos depois, o major recebeu uma carta, com brasões diferenciados. Era um agradecimento da rainha, além de um elogio pela qualidade da fruta. O documento foi conservado no acervo da família, mas a história é vívida nas palavras de Suzana Levy, neta do major, que será homenageada amanhã na Câmara. Essa é apenas uma das passagens que ela guarda não só em anotações, mas na memória, afiada em seus 77 anos de idade completos neste sábado.
O major foi muitas coisas em Limeira: vereador, presidente da Câmara, secretário estadual, prefeito. Só não foi, de fato, major. Era um apelido que ganhou e ficou. Nunca foi um título.
Não é à toa que a avenida leva o nome do major. Tanto o estádio da Internacional de um lado como a escola e centro esportivo do Sesi do outro foram construídos em terras doadas pela família.
Em 1912 o major se casou com Ana Carolina de Barros, e com ela teve os filhos Manoel Simão de Barros Levy, pai de Suzana, Terezinha e Ana Maria, e Levy José de Barros Levy, que teve os filhos José Manoel e José Alberto.
DA LARANJA À PINGA
Na fazenda Itapema, adquirida pela família, o major trabalhou com várias culturas. Após a crise de 29 que derrubou a produção do café, veio o algodão, e depois a laranja. À época, não era uma fruta tão popular, e o major notou isso nos bairros mais carentes de São Paulo, enquanto secretário de Agricultura. Ao voltar para Limeira nos finais de semana, determinou aos filhos que providenciassem um caminhão para distribuição gratuita naqueles locais. O motorista ia e distribuía a laranja para pessoas que sequer conheciam a fruta.
Tanto Suzana quanto a filha, Marisa, salientam que muito do que o major fazia não se sabia. A fazenda ainda mantém uma oficina de madeira, de onde saíam brinquedos para serem distribuídos no Natal. Outras coisas a família só descobriu recentemente. É o caso do tanque da fazenda, com diversas árvores plantadas no entorno. Só com os levantamentos mais recentes da propriedade, que incluíram fotos aéreas, descobriram que o patriarca fez o tanque no formato do mapa do Brasil.
Na década de 40, não se contentou só com a cultura da cana-de-açúcar,e começou a fabricar também a cachaça. Construiu o engenho e estrutura de armazenagem, em tonéis de carvalho. As encomendas eram para buscar a pinga em caminhão tanque, mas o major resolveu engarrafar sua própria produção, conseguindo uma garrafa exclusiva no formato de um gomo de cana. Suzana anda guarda um exemplar da velha Canita, fabricada até 1957. A pinga ainda recheou bombons, comidos às escondidas pelas netas.
Com a morte do major naquele ano, os filhos pausaram a produção. E a pinga lá ficou por décadas, até o conteúdo que envelhecia nos barris voltar a ser comercializado recentemente, em nova embalagem e nome, como a cachaça Itapema. No passar dos anos, a família perdeu a patente do nome Canita.
HOMENAGEM
Algumas dessas histórias devem ser contadas ao vivo nesta segunda-feira, às 19h, quando Suzana receberá o Diploma de Gratidão da Cidade de Limeira e a medalha de mérito cívico XV de Setembro “Ordem de Tatuiby”, homenagem proposta pelo vereador Sidney Pascotto, o Lemão da Jeová Rafá.
Ela e outros docentes da fundação do Sesi 408 também serão homenageados por alunos da turma de 1984, num jantar após a solenidade na Câmara.

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Suzana Levy lembra com detalhes histórias peculiares do avô, o major Levy – Foto: Mário Roberto/Gazeta de Limeira

 

Quando o presidente Geisel
quebrou o protocolo em Limeira

Em setembro de 1976, ainda referenciada pela citricultura, mas com a indústria em proeminência, Limeira recebeu a visita ilustre do então presidente Ernesto Geisel. Além de visitar a Facil e passar pela praça Toledo Barros, o presidente selaria a inauguração do Sesi 408.
Direção e professores ficaram em polvorosa para receber o presidente, como recorda Suzana. O protocolo que vinha de Brasília previa copos de cristal para o presidente. Ninguém poderia olhar, dar a mão ou conversar com o presidente, sequer perguntar nada. E assim, com alunos e funcionários com uniformes impecáveis aguardaram a visita. “Quando entrou na sala, o próprio presidente quebrou todos os protocolos. Já veio com a mão esticada para cumprimentar, conversou com alunos”, relembra. Um resumo do encontro foi eternizado no arquivo nacional, com vídeo disponível no link http://bit.ly/2q6Oplo, que situa Limeira com 120 mil habitantes ao completar 150 anos.
Limeira havia sido escolhida para receber o maior centro esportivo do Estado, vinculado à escola. Tanto que o então prefeito, Paulo D’Andréa, foi com membros do Sesi pedir a doação da área à família. Suzana lecionaria na escola desde o início, permanecendo por quase uma década. “Me senti muito feliz de trabalhar no chão doado pela família, o que proporcionou chances a muitas pessoas, coisas boas sem cobrar nada”, afirma. Nas origens, a admissão não era restrita aos industriários.
O apego esportivo era natural num complexo com piscina e inúmeras quadras, que sediavam disputas com outras unidades do Sesi. Não poderia ser diferente com aquela tida como uma “paixão nacional”: o futebol. “Certa vez, notamos vários grupinhos cochichando, e descobrimos que os alunos planejavam faltar em massa para assistir um jogo do Brasil na Copa, em 1978. Aquilo poderia invalidar o dia letivo, então adotamos uma estratégia. Com aval da direção, prometemos uma merenda ainda mais especial, além de levar as cadeiras para o páteo. Um dos pais, todos muito comprometidos, emprestou uma TV, e o jogo foi assistido por todos, na escola”, conta, aos risos. (Daíza Lacerda)

Publicado na Gazeta de Limeira.

03/03/2017

Limeira tem desapropriações emperradas desde os anos 80

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 22:42

Processos estão na Secretaria de Urbanismo ou Jurídico e volume ainda é desconhecido

Daíza Lacerda

Para o crescimento viário do município, são inúmeras as vias que passaram por cima de propriedades para dar alternativas aos motoristas ou abrir passagem às novas regiões. Mas, mesmo com vias mais do que estabelecidas, há contas de desapropriações que ainda não foram encerradas, seja pelo pagamento ou pela documentação pendente.
A desapropriação publicada ontem no Jornal Oficial, da rua Isaura Santos di Sessa, no Jardim Roseira é apenas uma situação de um volume desconhecido da atual gestão. O processo, do início dos anos 2000, só teve o decreto publicado agora, com o pagamento da desapropriação ainda em aberto.
A situação é explicada pelo secretário de Urbanismo, Matias Razzo. Devido a outras prioridades, como loteamentos em aprovação e outras regularizações, a situação das desapropriações incompletas ainda não foi levantada, mas já foi possível identificar que há processos da década de 80, como da marginal Tatu, como exemplifica o secretário.
“Temos atendido à demanda que surge, como um caso levado no atendimento na praça. A área estava paga, mas a documentação não estava resolvida, e demos encaminhamento”, cita, num dos casos que também era da década de 80.
Há outras situações mais recentes, como da via Guilherme Dibbern, em que proprietários contestaram o valor oferecido. A questão vai para o Jurídico e demanda mais tempo.
Razzo salienta que há tanto processos pagos com documentação incompleta quanto os que ainda não foram saldados. Sobre o acúmulo, avalia que, além desses processos não terem recebido a devida atenção, há demandas da parte técnica, em corpo restrito, além da burocracia da passagem por outros órgãos. Ele explica que há a intenção de fazer um pente-fino, já que as pendências podem complicar negociações com imóveis. Além das desapropriações, há permutas. Além do decreto publicado nesta semana, por enquanto não há nenhum outro na fila para desenrolar da desapropriação.

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Razzo: devido a outras prioridades, situação de desapropriações ainda ainda não foi detalhada

MP quer extinção do mandato de Dudu em 48h

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 22:39
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Órgão considera lei federal e jurisprudência para perda independentemente de votação

Daíza Lacerda

O Ministério Público (MP) formalizou, na quarta-feira, recomendação para que o presidente da Câmara de Cordeirópolis, Laerte Lourenço (PMDB), faça a extinção do mandato do vereador Rinaldo de Lima (PMDB), o Dudu. Ele foi preso no início de janeiro, após condenação transitada em julgado por contravenção envolvendo máquinas caça-níquel. No mês passado, Dudu teve autorizado o regime aberto, e termina de cumprir a pena de três meses em sua casa. Ele foi o terceiro vereador mais votado, e fazia parte da Mesa Diretora, como vice-presidente da Casa.
Em documento assinado na última quarta-feira, o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua deu prazo improrrogável de 48 horas para que Lourenço formalize a extinção do mandato de Dudu. O Legislativo suspendeu o mandato pelo prazo do cumprimento da pena, atendendo ao regimento interno. Em meados de janeiro, o MP abriu inquérito buscando a extinção, com base em situação prevista na lei federal e também em jurisprudência já aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em resposta, a Câmara optou por obedecer a lei orgânica municipal, que prevê a extinção, desde que a situação seja votada em plenário e o vereador tenha chance de ampla defesa. Para isso, foi elaborado um projeto de decreto legislativo. A peça que foi lida na primeira sessão ordinária da nova formação da Câmara, em 7 de fevereiro, quando os vereadores se manifestaram contra a responsabilidade de decidir o futuro de Dudu.
No entanto, a linha adotada pela Câmara não foi aceita pelo MP. Na recomendação, o promotor considera que o regimento e a lei orgânica “são flagrantemente contrários à interpretação sistemática” de dois artigos da Constituição Federal, além de orientação do STF.
Ainda citando jurisprudência do STF, o MP reforça que “cabe à Câmara apenas formalizar a extinção do mandato e declarar sua vacância nas hipóteses em que há suspensão dos direitos políticos de vereadores e prefeitos municipais”, o que deve ser feito “independentemente de deliberação do plenário”. A ação deve ser comunicado à promotoria, sob pena de medidas judiciais cabíveis.
No documento, o promotor requisitou que a Câmara informasse em até 48 horas se acataria ou não a recomendação, apresentando os fundamentos no caso de negativa. Lourenço informou que recomendação foi recebida na manhã de ontem. A situação será avaliada e o posicionamento será dado na segunda-feira.

 

Publicado na Gazeta de Limeira.

02/03/2017

Começa hoje prazo para declaração do IR

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 23:27
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Contribuinte tem até 28 de abril para declarar; na região, quase 293 mil devem acertar as contas

Daíza Lacerda

A partir das 8h de hoje, contribuintes já podem começar a acertar as contas com o leão, no início do prazo para declaração anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. A entrega deve ser feita até às 23h59 do dia 28 de abril.
Na circunscrição da Delegacia da Receita Federal de Limeira, que abrange a sede e mais 33 cidades, a previsão é receber 292.875 declarações. Para Limeira, estão previstas 56.337; para Cordeirópolis, 4.352; em Iracemápolis, a expectativa é de 4.503 e, em Engenheiro Coelho, 1.865. No prazo, em todo o Brasil, são esperadas 28,3 milhões de declarações. No Estado de São Paulo, 9.072.104.
Entre os contribuintes que estão obrigados a fazer a declaração do IR estão aqueles que, no ano de 2016, receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 e aqueles com rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, acima de R$ 40 mil.
Já as restituições serão pagas em sete lotes, de junho a dezembro. O primeiro lote sairá no dia 16 de junho. A prioridade é a ordem de entrega das declarações, com preferência para pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, portadores de necessidades especiais e contribuintes com doenças graves.
O programa para emissão da declaração foi liberado na semana passada pela Receita, e passou por modificações neste ano. Entre as novidades está a atualização automática, sem a necessidade de realizar o download no sítio da Receita Federal na internet. A entrega também poderá ser feita sem instalação do Receitanet que, neste ano, foi incorporado ao programa, não sendo mais necessária a instalação em separado.
PARCERIA
Teve início o projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal da Receita Federal (NAF), uma parceria entre as Faculdades Integradas Einstein Limeira, a Receita Federal do Brasil e a delegacia da Receita Federal de Limeira. Os alunos de Ciências Contábeis da Faculdade Einstein, por meio do NAF, terão a oportunidade de vivenciar a prática profissional e receber orientações da Receita Federal sobre obrigações tributárias e, também, prestar atendimentos contábeis e fiscais gratuitos à comunidade.
No próximo encontro será realizado o primeiro treinamento sobre o Imposto de Renda 2017, unindo o grupo de alunos, professores e a coordenação do curso de Ciências Contábeis e Administração da faculdade. Os atendimentos à comunidade pelo NAF-FIEL começarão no primeiro sábado de março e serão pré-agendados. A programação é que esses atendimentos sejam feitos no período da manhã e, primeiramente, com foco nas orientações de geração e envio à Receita Federal da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física simples.

Publicado na Gazeta de Limeira.

 

 

Cordeirópolis reúne cerca de 50 mil pessoas no carnaval

Filed under: Uncategorized — daizalacerda @ 23:21
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Daíza Lacerda

Cordeirópolis encerrou o Carna Família 2017 na última terça-feira, com público comemorado pela organização. A Secretaria de Cultura calculou cerca de 50 mil pessoas nos quatro dias de festa, com início no último sábado. Só na segunda-feira foram 18 mil pessoas, conforme o Executivo.
O prefeito Adinan Ortolan (PMDB) comentou que o público foi até acima do esperado, mesmo considerando a crise econômica, que afeta a questão do comércio, sem que as pessoas gastem tanto quanto costumavam gastar. Outro ponto considerado por ele é lei seca, concluindo que são motivos que inibiram a participação de mais pessoas da região. “Nunca tivemos tantas pessoas num carnaval de Cordeirópolis como tivemos neste ano. Lembrando que as pessoas estão reconhecendo novamente o carnaval de Cordeirópolis como referência na região”. Para o próximo ano, o prefeito já prevê a preparação para receber ainda mais pessoas. “Temos que melhorar cada vez mais a estrutura”, considera ele, parabenizando a equipe organizadora e os participantes da festa. “É um povo que veio para se divertir, com pouquíssimas ocorrências. Realmente foi o carnaval da família”.
Para o titular da pasta de Cultura, Nivaldo Menezes, o evento superou as expectativas, apesar de uma certa apreensão no início, mesmo com a experiência de outros carnavais no mesmo local. “Isso nos dava um certo conforto, mas não tranquilidade”, pontuou. “Mas tinha muita gente, incluindo o público flutuante. A análise é positiva”, destacando o funcionamento da boate simultâneo aos desfiles, como opção às outras “tribos”, como os que gostam de som eletrônico, além do tradicional das marchinhas.
O secretário também destacou a situação financeira atual, considerando que “fazer o carnaval popular foi certeiro”, já que as famílias tiveram uma opção gratuita, cada uma levando suas bebidas e petiscos para ver os desfiles. “A maioria dessas pessoas provavelmente não teria condições de curtir de outra forma”, opina. Menezes também destaca os elogios recebidos pela conservação pública. “A cidade estava limpa às 7h, sem atrapalhar os que não gostam de carnaval, mas têm o mesmo direito de ir e vir”.

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